-----------------------------------
1 - Pensando Bem - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Pensando bem na vida / Suas dores, suas feridas / Mil gols perdidos /Amores, arremedos, caprichos / Pensando bem / Tudo foi vício... / Paixões se foram, anéis também / Sonhos acordaram, fez-se pó cada vintém / Pensando bem / Pensando bem / Amigo é tudo o que se tem. /
-----------------------------------------------------------
2 - Santa Bárbara - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Quero colher duas rosas / Que não nascem em qualquer jardim / Uma vou levar pra Santa Bárbara / A outra vou guardar pra mim / Quero perfumar toda a casa / Alegrar-me com esse olor / Para agradecer a Santa Bárbara / Mandei fazer um andor... / Tempo se fecha sem chover / Céu relampeja sem calor / Noite se adensa sem se vê /O mais cruel torpor /A minha Santa veio dizer: / A tempestade levou... /
----------------------------------
3 - Depois da última lágrima - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Depois da última lágrima / Renova-se a maré / É noite de tão larga /Abarca o que vier / Se já não resta mais nada / Despetala o malmequer / Depois da última lágrima / Verás outra mulher... / Valei-me Oxalá / Derrama seu axé / Depois da última lágrima / Enxugai a minha fé... /
-------------------------------------
4 - Vovó Rita - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Das bandas do sem fim / Dos confins de lá / Vovó Rita veio trazer / benção de Oxalá / Quanta dor / No pó da estrada / Ela perfilou / Na sua jornada... / No seu corcel / Subiu ao céu / Com as Santas Almas / No seu corcel / Provou do mel / Por Nossa Senhora foi coroada. /
---------------------------------------------------
5 - Mamãe sereia – (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Sobre as pedras sagradas da cachoeira / Mamãe sereia não se cansa de cirandar / Quando é noite de lua cheia / Mamãe incendeia o seu congá... / Minha mãe Oxum / Hoje veio me abraçar / Minha mãe Oxum / É quem veio me ninar. /
--------------------------------------------------------------
6 - Passou passou passou passou - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
O cadeado quebrou / Nosso amor faleceu / A chama se apagou /Doeu, doeu, doeu, doeu / O desamor abraçou / A ferrugem comeu / A chama se apagou / Só breu, só breu, só breu, só breu. / No cardápio das ilusões / Iguaria assim não comi / Entre sóis e violões / Um bem-te-vi, um bem-te-vi / Você foi um substantivo / Abstrato como a dor / Em verdade vos digo / Passou, passou, passou, passou / O cadeado quebrou... /
----------------------------------------------
7 - Domingo é dia -
(Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Domingo é dia, sinhá /De passar roupa /A morena saiu pra sambar / Vai voltar rouca /A morena vai namorar /Beijar na boca /Depois que faz unha, sinhá /Não lava a louça /Menino saiu sem avisar /Não se pertube /Ele foi pra ribeira pescar /ou pro açude /Ele conhece lugar /Não se assuste /O buraco que tem lá no chão /É da bola de gude /Menino cresce /Sinhá. sinhá /Faz uma prece /pra se casar /Morena sabe e oferece /Um beijo /Menino corre pro brejo /Ele não sabe beijar... /
----------------------------------------------
8 - Malícia - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Me tenha como vício /Aceite os meus de bom grado /Que o seu coração palpite, mire,dispare sobressaltos./ Não quero nem saber /da meia-água dos teus fados /Quero o teu choro, depois o riso /Malícia de asfalto /E enquanto isso /Vou te mostrando(desde o início) /Meu jeito hábil /Me tenha... /
-------------------------------------------
9 -Baluarte - (Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Estranhamente me desejas /Em outras bocas e mal sabes /Quando advogas meus desejos /E consomes minha mocidade /Furtando assim meus próprios beijos /Em bocas que não me cabem/ Ainda que mal saibas do meu apreço /Pra mim tu és um baluarte. /E se por hora impera /O batismo dessa pedra /O tempo é uma fogueira /Que a tudo subtrai /Decerto toda tristeza /Um dia esvai.
-------------------------------------------
10 - Rainha do Mirante - (Roberta Nistra, Moacyr Luz e Rogério batalha)
Ynaê, Ynaê, Ynaê / Se eu sou filha do mar me ensina / Ynaê, Janaína. / Tava pra chorar / Quando veio me valer / Quem embala o mar / É Oguntê / Minha prece ouviu / Nas conchas do mar / E depois sorriu / Pôs-se a cantar: Lampião de fé / Cerca de arame / Oloxum quem é? / Rainha do Mirante. /
-------------------------------
11 - Ewá - (Roberta Nistra, Moacyr Luz e Rogério Batalha)
Quando vier o anoitecer / E a primeira estrela brilhar / Uma rainha vai surgir / Com as mãos erguidas saudando o luar / Ela é menina, rainha, mulher / Ela traz a neblina, ela tem axé /
Transforma água da chuva em nuvem / Pra depois virar maré... / Ela trouxe alecrim / Ela trouxe alfazema / Lágrima-de-nossa-senhora / Pra curar filho de pemba / Ela veio de Aruanda / Numa noite de esplendor / Ewá é minha santa / Minha manta e minha flor. /
---------------------------------------------------------------
12 - Cigana do cabaré - (Roberta Nistra, Moacyr Luz e Rogério batalha)
Cadeado não prende, sinhá / Quem vem de lá / Cadeado não prende, sinhá / Quem vem de lá... / Vocês estão vendo aquela rosa encarnada / Nos cabelos enrolados daquela linda mulher / Com sete saias rodadas / Veio saudar filho de fé. /
Lá vem a cigana malandra / Não é uma cigana qualquer / Lá vem a cigana malandra / É a rainha do cabaré.../
---------------------------------------------------
13 - Ogum, meu amigo - (Roberta Nistra e Rogério batalha)
Vez em quando eu olho / Um pouquinho para mim / Vejo-me um tanto acuada / Vejo-me um pouco ruim / Vejo-me um tanto cismada / Com as flores do jardim / Vez em quando eu me olho /Com medo de mim... / Entre sucatas passadas /E envelopes vazios / Caminho por uma calçada / Que se alastra por todo Rio / Na noite mais alta / Ogum é meu amigo / Às vezes me aquece a alma / Às vezes é meu único abrigo. /
-----------------------------------------
14 - Cadê Erê? - (Roberta Nistra e Rogério batalha)
Cadê erê? / Tá brincando com areia / Cadê erê? / Tá brincando lá na beira.../
Não aporrinhe o erê, dona sinhá / Pois ele está sob o manto de Oxalá /
Não aporrinhe o erê, seu pescador / Pois ele está sob o manto do Senhor.
------------------------------------
15 - Eu vim da Nigéria (Xangô) - (Roberta Nistra e Rogério Batalha)
Eu vim da Nigéria / Do reino Iorubá / Sou rei do Oió / Marido de Iansã, Oxum e Obá / / Marido de Iansã, Oxum e Obá. / Vaidoso como quê, você verá / Sou fogo de benzer ou de trovejar / Caô Cabicielê, Caô Cabicielê / Axé, mojubá, orixá / Caô Cabicielê, Caô Cabicielê / Axé, mojubá, orixá... /
--------------------------------------------------------------
16 - Luana Maria – (Roberta Nistra e Rogério Batalha)
Flores flores flores / Enfeitam o meu jardim / Somente uma dessas flores / Vou podar as dores / Vou plantar em mim...
Dores dores dores / A vida sempre foi assim / Se não fosse Luana Maria /Eu passava a vida / Nesse dejavu.
--------------------------------------
17 - Salete - (Dú Basconça e Rogério Batalha)
Salete, não tenho nada com a sua vida /Já te dei casa e comida / Até ficamos noivos em Paquetá / Salete, sua dor já não me interessa / Faça as malas bem depressa / (não esqueça o Emplastro Sabiá) / Salete, tome um Dorilax, depois esqueça / Diga ao povo que perdi a cabeça / Ou tropeçastes no penhoar... / Salete, certas coisas nem Freud explica / Fome de virilha e larica / Amor de braguilha é pra ficar /Salete, depois de te ver naquele domingo / toda de risada com o gringo / Sigmund algum me pode curar
-----------------------------------------------
18 - Quisera - (Dú Basconça e Rogério Batalha)
Sim / Desnuda-se a moça /(sem nuvens ou desditas) / De repente voa /Envolve toda a minha vida /Seu riso é visgo / (paisagem sobre flores) /Majestade de todas as cores /No momento em que o amor faísca... / Sol que espraia em todo o jardim /Desaba a noite sobre mim /Quisera fosse o amor enfim /Mas só há a imensidão por fim. /
------------------------------------------
19 - Veja - (Dú Basconça e Rogério Batalha)
Veja / como desfolha o arvoredo / veja / A natureza não tem segredo / veja / Já se descora o nosso amor / que em razão do teu desapego / também desfolhou (ai...desfolhou) Jamais terei o destino / de pau a pique e dor / se bordei a fantasia / com os paetês da poesia / aos pés do Redentor Não deve o poeta / nem no limbo / rugir pro dissabor / pois somente a urtiga da mentira / nunca foi uma boa amiga / da luz do refletor E assim será meu destino / com fé e destemor...
------------------------------------
20 - Quem a não ser o samba? - (Dú Basconça e Rogério Batalha)
Já foi ponta de faca/ Já foi solitário sultão /Já foi o palhaço vaiado /O samba já foi ao rés-do-chão / Quando sussurra à concha do ouvido / Acho a meada do fio / É quem melhor explica essa nação/ E eu que tenho a alma crivada/ De lágrima, alegria e cachaça/ Mais uma vez peço a sua benção/ Quem a não ser o samba? / Pra bordar a esperança e renascer do chão / Quem a não ser o samba? / Pra rebrotar a ciranda da nossa paixão.
----------------------------------------------
21 - Bem obrigado -
(Dú Basconça e Rogério Batalha)
Eu também vou bem obrigado/ No mais tanto faz/ O resto são restos do resto do amargo/ Definitivamente descobri/ Que não nasci pra ser condecorado/ Foi o que tinha que ser/ Passado.../ Ando pouco zen e a saudade não me veste bem/ Como não cabe mais em minha casa seu retrato/ Legal, eu quero é curtir o barato de sua morte/ E daí encontrar o meu norte/ Em paz/ Oportunamente apresentarei dores mil/ Gargalhadas mais.../ Por hora estou amalgamado é com o mar/ E como disse o velho compositor:/ Viver é melhor que sonhar.../
----------------------------------------
22 -Bem cotado - (Dú Basconça e Rogério Batalha)
Você forjou, você riu, você mentiu, você brincou /Isso significa, amor, que você não tem interior /Quando na quadra da Portela a velha guarda subiu /Só você não entendeu que um partido-alto /é um batuque sólido de adeus /Você me usou e descurtiu, depois sumiu, dispersou /Você não justifica, amor, o bem de quem te criou /São vinte e dois anos de praia e eu já sei /que esse filme é assim /O mocinho sofre, o bandido foge e a vilã sai bem no fim /Foi minha escola querida / quem me ajudou a suportar /Você só deixou na avenidaa desilusão pr' eu carregar /no peito /Você zombou e feriu, você fingiu, você jogou /Isso justifica, amor, você não tem interior /Quando na quadra da Portela a velha guarda subiu /Só você não entendeu que um partido-alto /é um batuque sólido de adeus /Você me usou, me iludiu, depois sorriu e decretou /Que esse meu discurso, amor, é choro de perdedor /Com vinte e dois anos de escola /eu já sei que o desfile é assim /O passista sofre, o mestre sala morre e a destaque nem aí /Foi minha escola querida quem me ajudou a suportar /Você só deixou na avenida a desilusão pr' eu carregar /E hoje não sou mais um Zé, sinta meu cheiro de alecrim /Ando bem cotado /Se você duvida se informe sobre mim./
obs: gravada. CD: Dú Basconça - 2008.
------------------------------------
23- Decúbito dorsal - (Rogério Lopes e Rogério Batalha)
(Dá mole pra você vê). /Na cabeça, no invertido e no cercado /Apostei no seu gingado /Acreditei que o negócio ia dar pé /Um apontador me bateu o recado /Que o palpite era exato /E eu podia levar fé /Fui correndo pra Edgar Romero /Pra tirar uma beca zero /Só pra te impressionar /E logo aberto o crediário /Eu malandro de Gramacho /Ainda tive que escutar(de uma testemunha ocular) /Que ontem foste pega na madrugada /Embebida de cachaça /Em decúbito dorsal /E que toda aquela delicatesse era grupo de vedete /Descolada em mictório da Central / E eu que já fui até larápio /Pagodeiro mui versátil /Em partido-alto, coisa e tal /Apostei no jogo errado /E o destino, esse ingrato, me mandou essa real: /Malandro, não dá flor em milharal.
-----------------------------------------------
24 - Aliás - (Paulinho Lemos e Rogério Batalha)
Então escapar / do absurdo vendaval /Como meliante ou retirante nau /Depois juntar /os farelos da ilusão, os apelos do coração /E se atirar novamente ao mar... /Se o medo não tem esperança /No fundo, quem é que pode mais? /Se De La Mancha bordou com sua lança /devaneios imortais... /É, quem foi que disse /que de nada adianta /debater-se sobre mares irreais? /Se afinal de contas /Desvarios à boca /Já alimentaram um cais, aliás. /
obs: Gravada. CD: Paulinho Lemos - Gravadora: New Mood Jazz (Espanha)
-----------------------------------------
25 - A medida do sal - (Paulinho Lemos e Rogério Batalha)
Aprendi com a boemia /Que pode ser fatal /Acreditar na fantasia /Acabado o carnaval /E que a medida, menina / É peça fundamental /No palco, no bordado ou na vida /Há mão certa para o sal /Marinheiro de primeira /Foi brincar lá no mar-alto /Até hoje não voltou /Deve estar envergonhado /Não levei as mãos ao céu /Quando tudo terminou /Sabia até onde ia /A jurisdição do nosso amor /Eu aprendi com a boemia /O tempo certo do andor /Muita calma nessa hora /Haja vista o Nestor /Que pôs todas as fichas na folia /E até hoje não voltou. /
-------------------------------------
26 - Caso perdido - (Kinho e Rogério Batalha)
Seja você a flor que for /Não te darei meu coração /Desde que a dor marejou /Não encontrei mais afeição /A paixão não é laço de fita /Embora se faça bonita /No fundo é só desvão.... /Hoje sei que a vida /É feita de despedida /Saudade e ingratidão /Jogarei n’água / Todas as núpcias passadas /Viverei com mais razão. /
----------------------------------------
27 - Ilha de Ilusão - (Kinho e Rogério Batalha)
Ai, romântico coração/ Por que perdeste o tino?/Ilha de ilusão / Como se desfaz assim?/Quis sair pra ver o mar /O mar se viu revolto em mim / Cai dos braços da ilusão/Pois de mais a mais/ Nunca esteve aqui/ O amor não precisa de prata/ Ou néon para luzir/Acaso coisa que se preze/ Já não traz em si/ Sua própria luz /Seus azuis /Ah, valei, é o fim /Quis sair pra ver o mar/ O mar se viu revolto em mim./
------------------------------------------------------
28 - Ensolarado Cais - (Diogo Verri e Rogério Batalha)
Feriu / Sem piedade o meu peito / Sobre um padecido leito /
Ela bordou o seu brasão / Caíram / As amarras do preconceito /
Eu não sei se é direito (meu Deus do céu) / Dar capote à solidão /
Aí, (ah meu Deus e aí) / Ah, mas quem diria / Que ela um dia /
Em minha vida fosse um ensolarado cais (laia laia) / E aí! (ah meu Deus e aí) / Ah, mas quem diria / O que ela foi um dia / E hoje é só adeus e nada mais...
Não é só de tormentas / Que vive uma dor / Não queira entender /
O que passou, passou / A vida é como o mar / Há ventos, temporais /
E se você quer saber não quero mais / E aí...